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Ser humano do sexo masculino ameaça processar quem chamá-lo de homem

Luisa Marilac está nas mídias nos últimos dias. Tudo começou após o “cantor” Nego do Borel ter feito um comentário nas redes sociais em que elogiava a beleza da pessoa de sexo masculino e identidade de gênero feminina, mas usava o vocativo “homem”.

Não me ficou claro se Nego usou o  vocativo de forma provocativa ou sem tal intenção.

O que me está claro é que “homem” vem sendo o substantivo que identifica os espécimes masculinos de nossa espécie desde o surgimento do idioma em que nós, no Brasil, nos comunicamos.

Outro fato, e este fato é algo com que inclusive os teóricos de gênero concordam (pelo menos isso) é que “sexo” é uma categoria imutável e dependente da genitália com que você veio ao mundo, do tipo de gônadas que você carrega e do fato de você ser heterogamético ou homogamético.

1 a 1 a a a a si entendendo identidade
IMAGEM 1. Manuais que pretendem explicar a Teoria de Gênero são unânimes em tratar a categoria “sexo” como algo de natureza meramente biológica associada a gônadas, aparelho urogenital e cromossomos ao nascer sendo esta uma categoria a parte do “gênero”

Segundo os próprios disseminadores da Teoria Queer, a categoria mutável e não (estritamentente) dependente dos marcadores sexuais biológicos seria o “gênero”. Ora “homem” é uma palavra que faz e sempre fez referência ao “sexo”, não ao “gênero”.

Veja o dicionário, por favor:

travesti É homem
IMAGEM 2. Definição usada pelo Michaellis, pela imensa maioria dos falantes de Língua Portuguesa e por esta página.

Pouco importa! O ser humano do sexo masculino de nome Luisa ameaçou processar, ironia do destino, Mamma Bruscheta.

Mamma é uma (para ela eu dou a gentileza do uso do gênero gramatical feminino, para você não, caríssimo Luisa) grande prova de que as identidades de gênero e as orientações sexuais discordantes não exigem vitimismo e privilegismo, e não correspondem a ódio e intolerância contra os que portam condições menos comuns da expressão da sexualidade humana.

Mamma é declaradamente assexual (olhe para a etiqueta vermelha na imagem 1), é também uma transexual ou travesti (olhe para a etiqueta verde na imagem 1), mas é obviamente um ser humano do sexo masculino (olhe para a etiqueta azul na imagem 1).

Mamma, ao contrário de alguns outros assexuais e transexuais, não quer mudar o funcionamento universo e subjugar os demais humanos e o funcionamento do idioma às suas indiossincrasias.

Mamma sabe que sua condição de gênero ou sua orientação sexual não afetam o carinho que milhões de brasileiros sentem por ela, brasileiros que gostam de ouvir suas opiniões, piadas e mechericos. Brasileiros que sentem falta dela quando não está no programa do Leão ou do Silvio. Por isso, Mamma ficou surpresa ao saber que o Luisa, obviamente um homem, estava dando pitti e ameaçando meter o pau em quem dissesse a verdade sobre seu sexo em bom e claro idioma nativo de todos nós. Mamma compreende que ameaçar processar, dar chilique, rodar a baiana pelo fato de que seus concidadãos insistem em usar o idioma do seu país não é razoável.

Por isso, Mamma se espantou ao ouvir que que Luisa tinha feito escândalo ao ser chamado de homem por Nego do Borel e questionou: por que o escândalo, se Luisa de fato é homem?

Eis que o travesti Luisa (favor ver definição de travesti abaixo) ameaçou também processar a apresentadora.

Logo ela, que mais do que poucos tem lugar de fala para falar sobre transexualidade, transgeneridade, assexualidade e todo e qualquer tipo de sexualidade ou identidade de gênero “desviante” no Brasil.

Logo ela que é reconhecida, respeitada, admirada por milhões de brasileiros desde décadas antes do ativismo queer explodir como uma bomba no Ocidente a partir da influência de “intelectuais” pupilos dos filósofos franceses Jacques Derrida e Michel Foulcault (sobretudo estes) sobre os operadores das leis e das burocraciais estatais.

travesti É homem
IMAGEM 3. Definição de “travesti” usada por esta página

Defender o uso livre do idioma em sua forma consensual e vernácula é defender a própria liberdade de expressão. Como podemos falar em liberdade de expressão em um mundo em que o uso de um dos termos mais fundamentais do próprio idioma, em seu sentido dicionarizado e amplamente difundido ao longo de toda a trajetória da língua e amplamente usado pela imensa maioria dos falantes, é passível de processo e (infelizmente, dado o enorme aparelhamento da burocracia judicial brasileira) condenação?

Como se falar em liberdade de expressão quando o uso de cada termo do vocabulário vernáculo está sujeito à limitações impostas pela ideologia de meia dúzia de inteligentinhos do Leblon e acadêmicos de humanas?

Tenho repetido: no Português usado em “Quem a homotransfobia não matou hoje?”, no Manual de Redação da página e deste blog as coisas estão assim definidas:

    • Homem: indivíduo portador de sexo (biológico, embora seja redundância especificar isto) masculino.
    • Mulher: indivíduo portador de sexo feminino.
    • Travesti: indivíduo homoafetivo portador de sexo masculino que se vista com elementos típicos da indumentária feminina (tendo ou não feito cirurgias plásticas). Eventualmente = lésbica masculinizada.
    • Lésbica masculinizada: indivíduo homoafetivo portador de sexo feminino que se vista com elementos típicos da indumentária masculina (tendo ou não feito cirurgias plásticas).
    • Homem transexual: pessoa do sexo masculino que declare se sentir como se fosse mulher e que tenha desconforto psiquico com o fato de ser homem (tendo ou não feito cirurgias plásticas, vestindo-se ou não de modo feminino).
    • Mulher transexual: pessoa do sexo feminino que declare se sentir como se fosse homem e que tenha desconforto psiquico com o fato de ser mulher (tendo ou não feito cirurgias plásticas, vestindo-se ou não de modo masculino).

Não aceito sugestões!

Mamma capitulou, uma pena

Após ser ameaçada de processo, Mamma Bruschetta pediu desculpas publicamente ao rapaz: “Cometi a indelicadeza de chamá-lo… chamá-la de ‘homem’. Peço desculpas a quem ficar ofendido.”

Continuo respeitando Mamma, a considerando uma das personalidades mais bacanas do SBT. Gosto muito de ver o quadro dos pontinhos do Silvio e adoro quando ela está presente.

Entendo o medo dela de ter que pagar uma polpuda indenização a um travesti apenas por ter usado de forma correta um vocábulo de nosso idioma. Sei que o judiciário é aparelhado e sei na pele o que é lidar com estas questões.

Mas acho uma pena que ela tenha voltado atrás. É assim que o non sense avança sobre a racionalidade.

Aliás, uma coluna do Estadão informou que mesmo após o pedido de desculpas por parte de Mamma, o Luisa reafirmou a intenção de processá-la: “Agora fala com minha advogada”, comentou o travesti sobre o pedido de desculpas da apresentadora.

2 comentários

  1. de homem:
    Bom senso é sempre bem vindo. Acho que a gente tem que aprender desde cedo quem é ou não é homem, nunca tive problemas, até gostaria de ser avisado antes, mas sou bem menos ingênuo que uma porção de coroinha aí. Mano, näo é homem, não adianta insistir. A classificação é livre e fica a critério de quem é saber o que é e informar a gente, pois até melhor que dizer que é padre, outro gênero que tem aí. O processo fica válido pela publicidade pro tema, que é a observação do fato dx cara não ser homem. E tem umas que deveriam também afastar toda a dúvida sobre como ela não é exatamente uma senhora. Eu não arriscaria os dentes tratando umx assim.

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