World Rugby recomenda que federações não aceitem homens em equipes femininas

World Rugby recomenda que federações não aceitem homens em equipes femininas

Rio de janeiro, 11 de outubro de 2020

Nos últimos anos se proliferou a participação de pessoas do sexo masculino em competições femininas de diversas modalidades esportivas. Uma discussão impensável até cerca de uma década atrás se tornou recorrente: pessoas do sexo masculino deveriam ser aceitas em competições desportivas femininas?

O ciclista Rachel McKinnon é um dos principais nomes desta controvérsia de nossos tempos. Ele foi admitido como atleta feminina da categoria master pela União Ciclista Internacional e sagrou-se bicampeão mundial. Em resposta às ciclistas que alegavam injustiça na aceitação de um homem como concorrente numa modalidade feminina, Raquel ironizou dizendo que as reclamações eram “choro de má perdedora” e que as concorrentes “deveriam treinar mais para se igualar ao seu desempenho excepcional”.

No Brasil, Tiffanny foi admitido como atleta da equipe feminina do Bauru. Ele é o recordista brasileiro em número de pontos em uma mesma partida da Superliga.

Nos EUA, dois adolescentes transexuais se tornaram internacionalmente famosos quando obtiveram o primeiro e o segundo lugar em uma competição juvenil de atletismo. Terry Miller venceu a prova e quebrou o recorde feminino estudantil dos 55 metros indoor: 6s95. Andraya Yaerwood que também é um atleta do sexo masculino, chegou em segundo: 7s01.

22 segundos depois, a primeira atleta do sexo feminino cruzava a linha de chegada, ficando em terceiro lugar na competição.

Terry Miller quebrou o recorde feminino de 55 metros indoor em uma competição de atletismo.

Outro caso famoso foi o de Hannah Mouncey: o jogador já era destaque na modalidade masculina do handebol australiano, e – após se submeter a tratamento hormonal – passou a atuar no handebol feminino e também no futebol australiano (um esporte semelhante ao rúgbi) feminino.

Ele não fez cirurgia de redesignação (ou seja: continua tendo pênis e testículos) e declarou em entrevista que continua se relacionando com mulheres. Ele afirmou, na mesma entrevista, que estes fatos não o tornam homem, mas uma mulher homossexual.

Transkønnet blev droppet til VM: - De ville ikke dele bad og omklædningsrum  med mig - TV 2
Hanna Mouncey jogava na seleção masculina australiana de handebol: após tomar hormônios, foi admitido na seleção feminina.



Agora a World Rugby decidiu recomendar às federações nacionais associadas que não aceitem pessoas do sexo masculino em competições femininas de rúgbi: mesmo com a recomendação, as federações nacionais não estão expressamente proibidas de admitir mulheres do sexo masculino em seus quadros.

Para a federação, a presença de atletas do sexo masculino em equipes femininas representa um risco físico às atletas: o rúgbi é um esporte de extremo contato, onde trombadas fazem parte do jogo. O jogador Kelly Morgan, que se identifica como mulher e atua no time feminino do Porth Harlequins, no País de Gales, contou à BBC que reconhece que seu “sexo biológico” lhe garante uma vantagem e que “se sente culpado”, mas que “não quer machucar ninguém: só jogar bola”. Notícias do Reino Unido indicam que mulheres estão desistindo do esporte em função da entrada maciça de homens nas competições femininas.

Em nota, a World Rugby afirma que “Tal como acontece com muitos outros esportes, as diferenças fisiológicas entre homens e mulheres exigem categorias de rúgbi de contato masculinas e femininas dedicadas por razões de segurança e desempenho. Dada a melhor evidência disponível, concluiu-se que a segurança e a justiça atualmente não podem ser garantidas para mulheres que competem contra transexuais do sexo masculino no rúgbi de contato.”  

Kelly ri durante entrevista à BBC: atleta reconhece vantagem física, diz se sentir culpado, mas alega que sua intenção é apenas jogar rúgbi e não machucar ninguém.

As novas diretrizes não recomendam que atletas transexuais do sexo masculino joguem rúgbi de contato feminino nos campeonatos de primeira divisão e nas competições internacionais, onde tamanho, força, potência e velocidade são cruciais para risco e desempenho. Atletas transexuais do sexo feminino estão autorizadas a participar do rúgbi de contato masculino. 

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