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Queimadas 2020: como ficaram os números do Brasil e de países vizinhos, depois de encerrado o ano?

Rio de Janeiro, 13 de janeiro de 2021
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2019 e 2020 foram anos de tragédia para as florestas brasileiras? Nunca se queimou tanto de nossas matas? Encerrado o ano de 2020, podemos voltar a falar sobre os números de focos de queimadas captados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

No fim do inverno de 2020, assim como tinha acontecido em 2019, houve um imenso alarde midiático sobre número de focos de queimadas nas florestas brasileiras: em plena pandemia de novo coronavírus chinês, o tema das queimadas disputou a atenção dos comentaristas de grandes redes de televisão, de ativistas políticos e da população em geral.

Mas o ano de 2020 foi mesmo especialmente ruim em termos de focos de queimadas, no Brasil? Como se situaram, em relação ao mesmo tema, os nossos países vizinhos?

Em primeiro lugar é importante destacar – sempre, independente das paixões e ódios políticos – que os padrões de queimadas são fortemente influenciados por fatores climáticos: anos de maior pluviosidade tendem a ter menos focos de incêndio, anos em que chove menos tendem a ter maior número de queimadas, e queimadas mais extensas: isto independe de o presidente ser de direita (como no Brasil) ou de esquerda (como na Venezuela ou na Argentina).

Dito isto, o Brasil encerrou 2020, de novo, com números perfeitamente próximos à média anual histórica de focos de queimadas.

Houve, durante todo o ano de 2020, 222 798 focos de queimada identificados pelos satélites do INPE, um número apenas levemente superior à média histórica, que é de 220 953 focos. Em 2019 o número havia ficado um pouco abaixo da média: 197 632 focos.

Apesar de todo o alarde político e midiático sobre “Bolsonaro queimando as nossas florestas”, o fato é que o número de focos nos dois últimos anos se manteve normal. Os piores anos observados pelo INPE foram na primeira década do século. Os anos de 2002, 2003, 2004, 2005, 2007 e 2010 tiveram mais de 300 mil focos de queimadas, cada.

O que não quer dizer – necessariamente – que a culpa de tais incêndios tenha sido da dupla Lula – Marina Silva, que gerenciava a questão ambiental naqueles anos.

Me incomoda a disposição recente de parte dos opinadores políticos nacionais em tratar como apocalípitica uma situação que na verdade não tem apresentado nenhum desvio anormal dos números observados anualmente, apenas para criar um factoide político.

Foi isto que foi feito em 2019 e repetido 2020: situações absolutamente esperadas de queimadas durante os meses mais secos foram tratadas como anormais apenas para “criar um caso político” contra Jair Bolsonaro. Você pode checar e comparar os números, ano a ano, na tabela abaixo, disponibilizada pelo próprio INPE.

Dados de queimadas registrados INPE para o Brasil em 2019 e 2020 não revelam anormalidade em relação à média dos anos anteriores.

Não houve grande distanciamento estatístico nem se considerados os anos mais recentes: embora 2020 tenha tido mais focos de queimada que qualquer ano depois de 2010, o total de focos foi bem próximo ao dos anos de 2012, 2015 e 2017.

PAÍSES VIZINHOS: ARGENTINA E VENEZUELA TIVERAM OS PIORES ANOS DA SÉRIE HISTÓRICA

Se o país governado pelo conservador Jair Bolsonaro teve um ano perfeitamente dentro da média em se tratando de números totais de focos de queimadas, isso não é o que se pode ser dito dos países governados pelos socialistas Nicolás Maduro e Alberto Fernández.

Citar o polo ideológico dos governantes dos três países não deveria ser relevante, não fosse pelo fato de que boa parte dos comentaristas políticos (profissionais ou amadores) terem tentado – nos últimos dois anos – transformar a questão das queimadas em um produto da “direita fascista”. De fato, em 2020, tanto a Venezuela quanto a Argentina tiveram os seus piores anos em termos de número de focos de queimadas.

Dados de queimadas da Argentina (esq) e da Venezuela (dir): países tiveram pior ano da história em número de focos.

Outros países, como Colômbia, Bolívia, Peru e Paraguai tiveram índices de queimadas bem superiores à média em 2020. Segundo o meteorologista Leandro Bellato, o ano de 2020 foi caracterizado por importantes períodos de estiagem (ausência de chuvas) em diversas partes do continente sul-americano. Estes períodos anormalmente intensos de pouca chuva provocaram o aumento das queimadas em diversas regiões da América do Sul, inclusive no Pantanal brasileiro.

Será que nos meses de agosto e setembro o tema “queimadas no Brasil” voltará a inundar as redes sociais e dominar as manchetes da Globo News? Será que haverá, de novo, politização e desonestidade no tratamento dos números? Acesse nosso canal no Telegram, e dê o seu palpite.

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