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Seth Dillon: o progressismo está arruinando a sátira social

Seth Dillon é proprietário do portal satírico The Babylon Bee, especializado em notícias de caráter humorístico sobre sociedade, política e religião. As matérias exageram temas polêmicos nestes campos, como em um post com a seguinte manchete: “Sinal racista de ‘OK’, comunidade surda permanece suspeitamente em silêncio“.


No primeiro parágrafo o Babylon Bee noticia que “De acordo com informações, a comunidade surda ainda está usando o símbolo oculto do racismo nazista – o sinal “OK” – em suas comunicações diárias. Isso está fazendo com que alguns jornalistas levantem preocupações de que os surdos possam ser nazistas secretos.”

O sinal de “OK”, feito com os dedos polegar e indicador, vem sendo tratado por alguns progressistas como “símbolo do supremacismo branco”. E o mesmo sinal faz parte da linguagem de sinais. A suspeita sobre a comunidade de surdos ser uma sociedade secreta de nazistas, entretanto, é obviamente ficcional e humorística. Tudo é feito para ser facilmente identificado como sátira, mas o portal tem encontrado alguns problemas. Em vídeo publicado recentemente pelo canal PragerU, Seth se lamenta por algumas de suas sátiras terem se tornado reais pouco depois de publicadas.

O empreendedor menciona uma matéria satírica com o seguinte título: “2+2=4, insiste um fanático reacionário“.

A matéria, publicada em março de 2017, atesta que “Em uma aula de matemática dada à sua turma de jardim de infância, na última terça-feira, a professora local e preconceituosa Becky Delatorre teria insistido que dois mais dois são iguais a quatro, sempre (…) a fanática intolerante negou sistematicamente a possibilidade de que a resposta poderia ser qualquer coisa, menos “quatro”, indo tão longe quanto apontar especificamente os números três e sete como “errados” quando mencionados pelos alunos como possíveis respostas.” O texto pretendia ser um exagero sobre o crescente relativismo epistemológico que assola os universos políticos e acadêmicos nas últimas décadas.

Entretando, em agosto de 2020 o Washington Examiner publicou queProfessora de matemática afirma que equação de 2+2=4 ‘cheira a patriarcado supremacista branco’ “. Na matéria, o Whashington Examiner informa que “Uma professora de educação matemática de Nova York afirmou que 2+2=4 cheira ao patriarcado supremacista branco e que a ideia de que a matemática (ou dados) é culturalmente neutra ou de qualquer forma objetiva é um MITO”. O texto do WE não é satírico e diz respeito a tuites efetivamente publicados pela professora e pesquisadora Laurie Rubel.

Seth menciona outros casos e demonstra preocupação com o futuro da sátira quando, sucessivamente, notícias que são pensadas para soarem como absurdos que jamais aconteceriam no mundo real acontecem de fato no mundo real pouco tempo depois de serem imaginadas ficcionalmente.

A tênue linha entre a sátira e a realidade do mundo desconstruído progressista não é o único problema que Seth aponta. O Babylon Bee tem sido alvo de acusações relativas a ser um portal de “fake news”. Um portal de sátiras, que se apresenta claramente como sendo um portal de sátiras, não poderia ser acusado de portal de notícias falsas. Sátiras são produções do campo ficcional, é da sua natureza serem falsas e não há problema algum nisso.

Em um mundo onde uma pesquisadora acadêmica denuncia que 2+2=4 cheira a machismo, não deveríamos nos surpreender se uma agência de checagem tivesse classificado como falsa a uma das notícias do Babylon Bee.

Em março de 2018 o Babylon Bee noticiou que “CNN compra máquina de lavar de tamanho industrial para preparar notícias antes da publicação” e afirmou que “O dispositivo personalizado permite que os repórteres da CNN carreguem os fatos de um determinado problema, programem o mostrador para um ciclo de lavagem, e em cinco minutos, recebam uma versão quase irreconhecível da história que foi lavada para se adequar à agenda da emissora de notícias. O Babylon Bee chegou a afirmar que uma testemunha teria visto um repórter da CNN operando a máquina para preparar o local, as pessoas envolvidas e os fatos de uma matéria que estava produzindo”

Claramente era uma piada sobre a notável imparcialidade e seletividade da grande mídia, mas… o Snopes, uma espécie de Agência Lupa dos EUA, checou o post do Babylon Bee, e graças à “checagem” o Babylon Bee recebeu notificações do Facebook de que deveria parar de publicar “fake news” ou seria derrubado.


NOT THE BEE: QUANDO A REALIDADE PARECE PARÓDIA

Em uma das respostas aos ataques diretos contra o Babylon Bee e à cada vez mais óbvia dificuldade de parodiar a realidade progressista e desconstruída, o portal ganhou uma espécie de “subsidiária”. O Not the Bee é dedicado a notícias reais que até parecem sátira.

Uma das recentes notícias divulgadas pelo canal trata do investimento do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, em uma nova delegacia em uma região de maioria negra. A delegacia custará mais de 100 milhões de dólares aos cofres da prefeitura.

Seria uma nota trivial, se Bill não tivesse – em 2019, e sob pressão do movimento supremacista Black Lives Matter – prometido cortar o investimento público no policiamento da cidade em mais de um bilhão de dólares.

A decisão de construir a 116ª delegacia da “capital do mundo” foi tomada após protestos dos moradores de um bairro predominantemente negro, no sudeste do Queens, que não tinha uma delegacia própria. Os moradores lamentam que o policiamento na região é prejudicado pela distância da delegacia mais próxima. O “desfinanciamento” exigido por ativistas supremacistas negros bateu de frente com o desejo dos cidadãos negros não associadas ao Black Lives Matter por mais polícia, e não por menos.

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