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Facebook oculta mensagem de apoio a cubanos: “esta foto pode incomodar algumas pessoas”

Daniel Reynaldo
12 de julho de 2021


Habitualmente a plataforma Facebook “borra” fotos que digam respeito a atos extremos de violência, acidentes graves em que apareçam vítimas feridas e postagens que tenham sido classificadas por empresas de “checagem” como falsas.

Uma postagem do cientista político argentino Agustin Laje sobre os protestos liberais em Cuba eclodidos nos últimos dias chama a atenção. A postagem de Laje é pacífica, não clama por violência e não apresenta (como o próprio Facebook informa) nenhuma quebra às normas de conduta da plataforma.

O argentino se limita a publicar uma nota de apoio ao povo cubano, que finalmente resolveu se levantar em massa contra a ditadura totalitária que os oprime há décadas, na mensagem se lê: “Todo o meu apoio aos cubanos que estão enfrentando nas ruas a ditadura mais duradoura de nosso continente: chegou o momento de arremessar o comunismo liberticida pelos ares”.

A postagem, que é de um tuite publicado por Laje, não foi banida da plataforma, mas o Facebook borrou a imagem e colocou o seguinte aviso sobre ela: “Conteúdo sensível. Esta foto pode incomodar algumas pessoas”. Abaixo do aviso há a opção de “Ver foto”.

Os critérios do Facebook para definições do que é ofensivo ou não seguem estranhos. A plataforma costuma liberar sem nenhuma ressalva imagens de ofensa direta à masculinidade, à heterossexualidade e à branquitude. Um exemplo foi uma charge publicada por uma feminista na qual exibia-se a imagem de uma mulher fatiando um pênis na tábua de carne, como se fosse uma linguiça calabresa. Ao ser questionado, o Facebook considerou que a imagem era perfeitamente aceitável.

Facebook decidiu ocultar mensagem pacífica de apoio ao povo cubano: decisão é tomada a partir de análises de algoritmos e de funcionários especializados da empresa californiana.

Páginas feministas e racistas negras são profícuas em disseminar discursos generalistas contra homens e brancos, que – com certeza – ofendem a muitas pessoas. Nunca observei nenhuma advertência sobre “possível ofensa às sensibilidades” por sobre estas páginas.

É natural que comunistas se sintam ofendidos com mensagens de apoio ao povo cubano, assim como é natural que feministas fiquem ofendidos quando expostos a dados honestos e que homens e brancos (ou mesmo mulheres e negros) fiquem ofendidos ao serem expostos a conteúdo de ódio feminista ou racista negro. É natural que petistas e bolsonaristas fiquem ofendidos quando uns chamam aos outros de gados. É natural que ativistas trans fiquem ofendidos quando algumas postagens lembram da impossibilidade de mudança real de sexo enquanto outras pessoas se sentem ofendidas quando ativistas trans as chamam de transfóbicas por não aceitarem a ideia de homens participando de competições esportivas femininas.

Não deixa de ser curioso, contudo, o critério utilizado pelo Facebook para advertir ou não aos seus usuários de que um conteúdo pode ser ofensivo. Com tanta postagem ofensiva contra tudo e contra todos circulando na rede, a empresa de Zuckerberg foi logo implicar com uma postagem que apoia quem deseja liberdade e democracia e ofende quem deseja totalitarismo e ditadura? Eu, einh!



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