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Greenwald sobre restrições na Austrália: sofrimento mental, isolamento, depressão, vício e privação econômica também matam

Daniel Reynaldo
Rio de Janeiro, 20 de julho de 2021


Já se tornou um meme entre os internautas mais à direita a frase “Não aguento mais concordar com o PCO”.

O partido de extrema-esquerda (que defende uma reorganização marxista-trotskista fundamentada na conversão da “propriedade privada” em “propriedade social” e que está frequentemente envolvido em protestos violentos) é famoso por defender valores como a irrestrita liberdade de expressão diante do Estado, por ser opor à criminalização de discursos sobre sexualidade/raça/sexo sob a alegação de que estes são discursos de ódio, entre outras opiniões pouco populares nas faixas mais à esquerda do espectro político.

Um forte concorrente para meme semelhante é Glenn Greenwald, jornalista estadunidense radicado no Brasil (é casado com o deputado federal David Miranda, do PSOL) e fundador do portal de desinformação The Intercept (o mesmo portal que fabricou e disseminou a notícia falsa sobre “estupro culposo” e que foi também o primeiro a disseminar a fraude sobre “lesbocídio”, estudo desonesto sobre mortes de mulheres lésbicas fabricado por três estudiosas da UFRJ). Glenn foi também a peça central no caso da vaza-jato, em que mensagens trocadas por membros do Poder Judiciário e do Ministério Público atuantes na Operação Lava Jato foram hackeadas e divulgadas através do The Intercept Brasil.

Sendo fundador de um portal extremamente afiliado às pautas progressistas e estando associado a personalidades da extrema-esquerda bronzeada do Leblon, é sempre surpreendente ver que os posicionamentos de Glenn tendem a ser independentes e muitas vezes distantes das ideias dominantes nas tendências ideológicas às quais ele está associado. O jornalista já posicionou de forma que parece improvável a um influenciador progressista em diversos momentos.

No caso da Pulse: uma boate de Orlando que foi palco de atentado com 49 mortos, em 2016 , Glenn chamou de mentirosos a políticos democratas que classificaram este caso como exemplo de ódio anti-LGBT, argumentando que o terrorista islâmico escolheu aleatoriamente o lugar do atentado (no Brasil, o marido de Glenn usou as fraudes da UFRJ e do Grupo Gay da Bahia sobre morte por homofobia como justificativa na apresentação de um projeto de lei semelhante à Lei Sexista Maria da Penha).

No caso Hunter Biden, em que notícias de corrupção e outros crimes envolvendo o filho de Joe Biden foram totalmente ignorados pela grande mídia e até censuradas pelas redes sociais, Greenwald lutou para dar divulgação ao caso, sendo este o motivo de seu rompimento com o The Intercept.

Glenn também defende liberdade de expressão num sentido mais amplo do que esquerdistas progressistas costumam defender, geralmente se opondo a sanções baseadas em alegações de “fake news” ou “discurso de ódio”. Na semana passada a secretária de imprensa do governo Biden defendeu que propagadores de “desinformação” deveriam ser banidos simultaneamente de todas as redes sociais (isto é: se você publicasse uma “fake news” no WhatsApp deveria ter também suas contas no Facebook, no Instagram, no Youtube, no Telegram et cetera bloqueadas). Glenn postou:

Sério, quem a porra da Casa Branca é para definir quem deve e não deve ser banido das plataformas de mídia social, para manter listas de quem eles pensam que são os espalhadores de “desinformação”, e depois pressionar as empresas que eles regulam a obedecer? Isto é pernicioso

No começo da tarde de hoje o jornalista comentou em seu Twitter sobre as novas medidas australianas no “combate ao coronavírus” estabelecidas pelo estado de Nova Gales do Sul na Austrália. A premier Gladys Berejiklian estabeleceu que – devido ao registro de uma morte e 111 novas infecções por Covid-19 – o estado vai entrar (de novo) em medidas de restrição severas que incluem as já famosas proibição dos comércios “não essenciais”, restrição de horário das atividades “essenciais” e proibição de que os cidadãos circulem nas ruas durante a madrugada.

Sobre as novas medidas, Glenn tuitou o seguinte fio:

Tudo isso em resposta à morte de *1*. Quantas pessoas vão sofrer e morrer por essas medidas de isolamento extremamente duras e restritivas que estão sendo impostas após 15 meses? Isso é o que está gerando o ceticismo em relação à vacina: esta mensagem contraditória sobre se ela protege você ou não.

Se você fosse propor que o limite de velocidade fosse reduzido para 40 km/h, quase ninguém te apoiaria: mesmo que isso salvasse milhares de vidas.Diriam: não podemos arcar com os custos. Vale a pena correr o risco dessas mortes. Por que não há cálculo racional de risco-benefício para o COVID?

Sofrimento mental, isolamento, depressão, vício e privação econômica também matam. Essas mortes não são menos trágicas ou dolorosas do que as mortes do COVID.

Quem a homotransfobia não matou hoje? não aguenta mais concordar com Glenn Greenwald. Já tá ficando chato.









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