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“Sexualizar” o corpo de atletas é um problema moral? Depende.

Daniel Reynaldo
02 de agosto de 2021



Durante as Olimpíadas da Opressão 2021, que estão sendo sediadas na cidade japonesa de Tóquio, os debates promovidos pela imprensa esportiva têm se concentrado menos nas tradicionais discussões sobre a potência do saque daquele tenista, o domínio da técnica por aquele judoca ou os esquemas táticos possíveis para que aquela seleção azarona desbanque a favoritíssima na final.

O foco tem sido, em grande medida, substituído por questiúnculas sobre quantos LGBTs têm naquela seleção de handebol, se aquela outra seleção tem um número adequado de pessoas negras, se aquela atleta que disputa a medalha feminina de skate deve ou não ser chamada de mulher, ou se os shortinhos das jogadoras de vôlei estão estimulando telespectadores adolescentes a correrem pro banheiro e demorarem mais tempo no banho.

Quanto a este último tema, algumas atletas de volei feminino de um país X e de ginástica de um país Y chegaram a usar uniformes diferenciados em protesto contra o que chamam de “erotização” do corpo atlético feminino.

Bem, exceto por algumas categorias mais pesadas do judô ou por algumas modalidades mais louconas do atletismo, corpos de atletas geralmente são altamente “erotizáveis” mesmo.

Atletas, em geral, têm corpos que estão dentro dos padrões ideais de seleção sexual da maioria de homens e mulheres, heterossexuais ou homossexuais. Claro que não é uma regra absoluta, sempre existirão imagens absolutamente broxantes, como a da jogadora de futebol feminino eleita seis vezes a melhor do mundo, mas de modo geral atletas femininas e masculinos são pessoas – se não pelos traços faciais, ao menos pelo corpo – altamente desejáveis eroticamente.

(Se pausar a leitura para assistir o vídeo abaixo, lave as mãos antes de voltar.)

Houve um tempo que isto não era visto como um problema: me lembro de uma matéria jornalística publicada anos atrás, em uma importante emissora de TV, que destacava o quanto a beleza influenciava nos altos salários de atletas. A comparação mostrava que atletas com menos glórias esportivas superavam atletas com maiores glórias em quesitos como “cotas de patrocínio”: não é nada surpreendente que Cristiano Ronaldo estimule mais a venda de barbeadores que o Ronaldinho Gaúcho, ou que a Maria Sharapova estimule mais a venda de mini-saias esportivas que a Serena Williams.

Foi bom enquanto durou, estamos no século XXI e a moda é problematizar, então vamos problematizar o fato óbvio de que pessoas mentalmente saudáveis se interessam por corpos bonitos e tendem a parar por mais tempo e com maior interesse na frente da TV quando estão vendo mulheres e homens gostosos (de acordo com suas próprias sexualidades).

Bem, como acabou de ser dito, estamos no século XXI, então não precisamos ter coerência em nossas problematização: coerência é coisa de fascista que ainda não estudou o importante conceito da “falsa simetria”.

Veja estes exemplos de matérias do portal progressista Vice:

Na manchete de cima: “Este galã olímpico é mais do que um corpo gostoso”, na manchete de baixo “Investigamos o perturbador fórum de internet que erotiza fotos de mulheres olímpicas”. Obviamente um bom progressista terá a explicação na ponta da língua. O mesmo tema, duas abordagens completamente distintas.

Na primeira matéria o reconhecimento do homem espadaúdo como sendo um objeto de tesão erótico não é visto como evidência de desprezo pelos homens ou como um impedimento ao reconhecimento de outras qualidades, é um detalhe que inclusive serve de ponto de partida para que se valorize os feitos atléticos (primeiro atleta a competir em 3 olimpíadas seguidas, de verão e de inverno). No segundo texto, a existência de um grupo de internet focado na beleza das atletas femininas é visto como um ataque às mulheres e uma usurpação das qualidades reais das esportistas, as únicas pelas quais deveriam ser valoradas: os seus feitos atléticos.

Homens são privilegiados pelo patriarcado, então as velhas solteironas e as yags com furico piscando podem enfiar seus pênis de borracha em seus orifícios disponíveis e excitados enquanto olham para o atleta musculoso de Tonga. Não carece de problematização, deixe de ser moralista: o furico pegando fogo da yag ou da tiazona não atrapalha em nada o atleta e nem os homens em geral.

Já o adolescente espinhento e o tiozão barrigudo que não ousem abaixar a parte da frente do short enquanto assistem uma boa e honesta partida de de vôlei de praia feminino. E se você não vê o problema, você faz parte do problema: todos os dias 2 bilhões de mulheres morrem porque o adolescente punheteiro não pode ver uma gostosa de bikini.

George Orwell batizou de duplipensar, mas o comportamento não foi inventado em 1984. É da natureza humana o defeito de dar interpretações totalmente distintas a cenários absolutamente idênticos, de acordo com suas paixões irracionais. Acontece apenas que as paixões irracionais da moda atendem pelos nomes de feminismo, ativismo LGBT e movimento negro.

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