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Grupo Gay da Bahia: veja as lésbicas indicadas no relatório de 2019 (Parte 2)

Daniel Reynaldo
Rio de Janeiro, 10 de agosto de 2021


ONGs como o Grupo Gay da Bahia e a Associação Nacional de Travestis e Transexuais passaram a omitir os dados que permitem a conferência de suas alegações sobre “mortes motivadas por homofobia” no Brasil, mas alguns dados de anos anteriores ainda estão disponíveis. Durante décadas o GGB vem produzindo relatórios anuais que ajudam a militância a fabricar narrativas sobre vitimização, garantindo assim privilégios coletivos (leis, cotas) e individuais (cargos públicos, verbas públicas destinadas a ONGs).

Tradicionalmente o GGB classifica QUALQUER morte de homossexual como sendo “morte motivada por transfobia”. Quando jornalistas como a Renata Vasconcellos alegam que tantas pessoas morreram vítimas de homofobia no Brasil no ano X eles estão se referindo a relatórios que consideram como “mortes por homofobia” a casos de mortes naturais, mortes por acidente e até – pasmem – heterossexuais assassinados por homossexuais.

Ontem comecei a revisar os casos de mulheres que – segundo o Grupo Gay da Bahia – eram lésbicas e teriam morrido vítimas de “homotransfobia”. Mostrei que algumas das mulheres utilizadas no relatório sequer eram lésbicas, que outras foram mortas por outras lésbicas, e que algumas ainda tinham envolvimento com o crime organizado, tendo morrido provavelmente em função de suas vidas desonestas. Vamos ver mais alguns casos.

IASMYN NASCIMENTO DE SOUZA DA SILVA E JULIANA DANTAS MONTEIRO |ANGRA, RJ
Ainda que não se possa descartar honestamente a motivação homofóbica na autoria deste duplo assassinato, não se pode também afirmá-la honestamente com base nos relatos da matéria indicada como fonte pelo GGB. De fato as duas namoradas foram mortas por um homem, aparentemente após uma discussão devido a uma cantada que o homem havia passado em uma das duas e da qual a outra namorada não gostou.

Crimes por motivos semelhantes (iniciados em discussões por ciúmes de uma possível paquera entre o parceiro amoroso e outra pessoa) acontecem frequentemente e em diversas direções, um exemplo foi o assassinato da lésbica Laura Regina de Souza Ortiz, que foi assassinada pela namorada porque estava conversando com um homem.

É possível que o homem realmente tivesse preconceito contra casais homossexuais, mas é também possível que a morte tenha sido um desfecho tipicamente violento de brigas deste tipo, independente da sexualidade dos envolvidos.

THAMIRES DOS SANTOS CAMPELO | MANAUS, AM
Novamente um caso de lésbica matando lésbica e sendo classificado por ONGs LGBTs como “morte motivada por preconceito contra lésbica”. Alguém que defenda seriamente que quando uma lésbica mata outra lésbica o motivo é a existência (pessoal, cultural, social, tanto faz) de preconceito contra lésbicas precisa ser internado, compulsoriamente, num manicômio, sem previsão de alta.

DIANA RODRIGUES | ITU, SP

Não é a primeira vez que o Grupo Gay da Bahia duplica pessoas em seus relatórios. Isso já aconteceu, por exemplo, no relatório de 2018, quando Carlos Alexandre Pomim dos Santos (um homem que havia morrido de overdose, dentro de um motel) foi inserido duas vezes como vítima de morte por homofobia pelo GGB.

Aqui temos um detalhe curioso: Diana aparece duas vezes. Uma na 89ª posição do relatório e outra na 90ª. O link informado pelo GGB não informa claramente a causa da morte, mas o tom do texto parece indicar que foi suicídio, mais do que isso. Diana não era lésbica, mas um homem transexual. Seu nome de batismo era João Gabriel Barbosa Rodrigues de Paula e Diana era seu “nome social”.

Numa das entradas o GGB etiqueta a vítima como “transexual” e na seguinte como “lésbica”.

NÃO IDENTIFICADA |SP
O caso 119 do relatório aponta para uma lésbica cujo nome não foi informado pelo GGB. É apresentada uma fonte, mas a matéria correspondente foi retirada do ar.

CRISTIANE ALVES TERGENTINO E PRISCILA ÂNGELO DE CASTRO | SALVADOR, BA
Uma briga entre vizinhos, por razão não bem esclarecida na reportagem, acabou na morte (a facadas) de três mulheres: Cristina e Priscila eram casadas, a outra vítima era irmã de Priscila.

Elas moravam no mesmo quintal, em uma casa de dois andares. As vítimas moravam na parte de baixo, o assassino na parte de cima, a notícia indicada pelo GGB revela que vizinhos informaram que havia briga constante entre os vizinhos por questões como barulho e animais de estimação. Segundo as testemunhas, o assassino agiu movido por queixas que a mulher dele teria feito sobre as vizinhas.

JOYCE CRISTINA VARGAS DA SILVA | RIO DE JANEIRO, RJ
Poucos detalhes sobre esta morte: a matéria linkada pelo GGB informa que a mulher foi encontrada morta próximo aos trilhos de uma das estações de trem do bairro de Madureira. Não são dadas informações sobre as possíveis causas da morte (assassinato? suicídio? overdose?) e a matéria termina dizendo que os policiais ainda iriam realizar a perícia. Sabe-se que a mulher foi vista acompanhada de um homem no mesmo dia em que desapareceu, e só.

JULIANA FLÁVIA SILVA VASCONCELOS | ARCO VERDE, PE
A matéria indicada pelo GGB como fonte está fora do ar, mas através do Google é possível encontrar outras notícias sobre o caso. Juliana foi morta pela namorada (e isto basta, para qualquer pessoa honesta e cognitivamente saudável, para que se descarte a “motivação homofóbica” alegada pelo GGB).

A assassina, Daniela Borges, era ex-presidiária. Ela teria se irritado pelo mero fato de que a vítima estava ouvindo uma música romântica. Enciumada, acabou matando a parceira.

RAISSA SOTERO REZENDE | PAULISTA, PE
Não é incomum que entre os casos relatados pelo GGB estejam mortes de bissexuais assassinados por homossexuais que não aceitam o relacionamento heterossexual do companheiro ou ex-companheiro. No mesmo ano de 2019, o GGB já listou o caso de um homem bissexual que estava tendo um caso com uma mulher heterossexual ao mesmo tempo que tinha um relacionamento com outro homem. Foi morto pelo namorado.

Ora, obviamente não foi um crime por “fobia” nenhuma, mas por ciúmes, sentimento de posse erótico-afetiva, mas se fôssemos falar em fobia aqui, deveríamos classificar como “heterofobia”. O sujeito foi morto por um gay que não aceitava o relacionamento heterossexual da vítima.

O caso chocante de Raissa foi semelhante. O caso ficou famoso porque as assassinas fizeram questão de filmar o assassinato, cometido com requintes de crueldade, e publicar nas redes sociais. Todas as envolvidas eram adolescentes, Raissa tinha namorado com uma das assassinas e agora se relacionava com um menino. Foi brutalizada (espancada, enforcada, esfaqueada e afogada) pela ex-namorada e por uma amiga desta.

MICHELE VARGAS | MARICA, RJ

O link apresentado pelo GGB está quebrado, mas o texto do link não deixa dúvidas: https://www.banguaovivo.com.br/2019/04/03/mulher-esfaqueia-companheira-e-depois-se-mata-em-marica/ . Trata-se de mais um caso de lésbica morta por lésbica classificado como crime de ódio contra lésbicas.











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