Racismo

Jornalista da USP diz que é racista, mas que Thomas Sowell e eu somos mais

Quando eu era criança, lá em Engenheiro Pedreira, se assumir racista era um ato que só os racistas muito corajosos faziam em público. Ser racista era uma postura vergonhosa, digna de execração social: não era coisa que se confessasse no restaurante.

Nos últimos anos, guiados por uma redefinição pós-moderna do termo (ou por um esvaziamento de qualquer definição), os membros da tribo desconstruída, grupelho conhecido popularmente como “socialistas do Leblon”, passaram a se definir publicamente (e aos berros) como racistas.

Alguns membros da trupe, como Fabio Porchat e Regina Volpato, fizeram até campanhazinha publicitária: dizer que é racista hoje dá status na balada: “nossa, viu como ele é desconstruído, até disse que é racista”. Dizer que não é racista é que é prova de racismo, vá entender essa turma mais sedenta por mostrar suas caudas de pavão de “bom mocismo progressista” do que tuareg perdido na volta pra casa.

Pois a última famosa a declarar algo do tipo foi a racista (segundo ela própria) e jornalista Luiza Caires. Luiza é uma das responsáveis pela comunicação oficial da Universidade de São Paulo: é jornalista e editora de Ciências do Jornal da USP e se apresenta também como “divulgadora científica”.

Nas horas vagas ela dá pitacos sobre aleatoriedades no twitter, temas da moda: machismo, vacina, racismo, machismo, fakenews, machismo, Trump. Numa das últimas ela resolveu me chamar, e também ao filósofo e economista Thomas Sowell, de racistas.


Não, ela não nos chamou diretamente de racistas, a moça não deve fazer a menor ideia de quem seja Thomas Sowell e menos ainda de quem seja Daniel Reynaldo. Ela “só” disse que quem é contra o estabelecimento de privilégios legais baseados em raça é racista.

No tuite, publicado dia 08 de setembro, e que aparentemente ela deletou (talvez ainda lhe reste um pingo de bom senso) Caires disse, textualmente, que “Quem é contra cotas é racista sim.” Desconstruida que é, acrescentou que é também é racista, mas que quem é contra cotas é ainda mais. Acrescentou de um modo semanticamente confuso, inclusive: disse que é “inconscientemente racista”, mas se o racismo dela é apenas “inconsciente”, como diabos ela descobriu que é?

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Whatever, o fato é que tanto a definição de inconsciente como a definição de racismo utilizada por Caires não são compartilhadas por Reynaldo: eu acredito que racismo se refere ao conjunto de práticas ou ideias pelas quais um ser humano deva ser melhor ou pior tratado com base em seus caracteres étnicos: cor de pele, tipo de cabelo, formato dos olhos. E que não ser racista é se opor a tratamentos pessoais, normas coletivas, leis que resultem em tratamentos distintos (favoráveis a uns, desfavoráveis a outros) a depender de tais e tais caracteres.

A jornalista Caires acredita no perfeito oposto: racista é quem se opõe a tratamento desigual por parte do Estado aos seus cidadãos com base em raça. Nunca concordaremos, mas não é caso de me defender da acusação.

Se a definição de racista adotada por Caires é tal que abrange todas as pessoas que defendem que – como na letra de Bob Marley inspirada no discurso de Ras Tafari Makonnen – a cor da pele de um homem tenha o mesmo valor que a cor de seus olhos, então sim, moça: eu sou racista, segundo a sua particular definição. Ao seu dispor.

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