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Disque Direitos Humanos: perfis étnicos e sexuais dos agressores e das vítimas

Como já foi informado aqui, em texto anterior, mulheres são a maioria das vítimas e dos agressores, globalmente, nas denúncias feitas através do Disque Direitos Humanos (também chamado de Disque 100), serviço mantido pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH), desde 2011.

A comparação sobre os recortes específicos de prevalências são limitados pela carência de dados. Por exemplo, o relatório 2019 do Disque 100, publicado pelo MDH, dá conta de que – entre adolescentes – a maioria das violências do tipo “negligência” são cometidas pelas mães enquanto a maioria das violências do tipo “violência sexual” são cometidas pelos pais. O relatório omite, entretanto, informações sobre a prevalência de violência física, psicológica e outras. Entretanto, os dados disponíveis no site do MDH permitem algumas informações adicionais adicionais.

Dados dos Disque Direitos Humanos são frequentemente utilizados pela mídia, por políticos, por ativistas e por pessoas comuns em discussões sobre prevalência de violência contra determinados grupos específicos. Os dados costumam ser apresentados a partir de recortes que favoreçam alguma narrativa ideológica prévia. Por exemplo, quando o Estadão publicou sua matéria sobre o recorte específico de agressões contra deficientes físicos em 2019, a informação de que mulheres eram a maioria das vítimas foi destacada na chamada.


O Disque Direitos Humanos coleta denúncias telefônicas sobre violências específicas contra membros de um dos seguintes grupos: deficientes físicos, idosos, crianças e adolescentes, LGBTs, presidiários e moradores de rua. São coletadas também denúncias sobre violência racial. Vejamos as prevalências para cada grupo. Os percentuais apresentados abaixo são relativos ao ano de 2019 não incluem as denúncias em que o autor ou a vítima não tiveram o sexo ou a etnia identificados, bem como as denúncias em que a etnia identificada tenha sido “amarela” ou “indígena”. Por isso a soma dos percentuais não dará 100%. Para ter acesso a todos os dados disponíveis, clique aqui.

PREVALÊNCIA DE RAÇA E COR (VÍTIMAS E SUSPEITOS)

CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Boy on Facebook 13.1

Entre as crianças e adolescentes a maior parte dos agressores identificados são mulheres: 46,17% das acusadas. 36,8% das denúncias indicam um homem como agressor.

Crianças e adolescentes tendem a passar mais tempo com mulheres (mães e professoras) que com homens, e esta pode ser uma explicação para a diferença. Quanto ao sexo das vítimas, meninas aparecem em 48,83% das denúncias, contra 40% de meninos.

Quanto à etnia dos agressores e das vítimas, 34,47% dos agressores são pretos e pardos contra apenas 25,44% de brancos. Quanto à etnia das vítimas, pretos e pardos somaram 40,8% e brancos somaram 29,81%.


IDOSOS

Old Man: Medium-Dark Skin Tone on Facebook 13.1

63,7% das denúncias telefônicas de violência contra idosos realizadas através do Disque Direitos Humanos tinham vítima do sexo feminino, contra 32,19% de denúncias sobre vítimas do sexo masculino.

O percentual apresentado é bastante superior à diferença demográfica entre homens e mulheres nos dados do IBGE. Quanto à etnia das vítimas, 42,21% eram brancas e 37,39% eram pretos e pardos. A diferença também está acima do esperado, já que a população de pretos e pardos é superior à população branca.

Quanto aos agressores de idosos, há quase empate quanto ao sexo do agressor: 41,47% mulheres contra 39,42% homens. No que diz respeito à etnia, também há quase empate: 29,36% dos agressores foram identificados como brancos pelo denunciante. 30,25% foram identificados como negros.


IGUALDADE RACIAL

Globe Showing Europe-Africa on Facebook 13.1

Entre a denúncias de violência relacionada a questões raciais, o sexo da maioria das vítimas apontadas é o feminino: 59,14%. Homens aparecem com 31,13% das vítimas. Quanto à etnia, como esperado, 3,89% das vítimas eram brancas e 81,33% foram identificadas pelo denunciante como pretas ou pardas.

Mulheres também são a maioria dos suspeitos: 40,48% dos denunciados são mulheres e 32,87% são homens. Quanto à etnia dos agressores, 38,75% foram descritos como brancos e 15,57% como pretos ou pardos.


LGBT

Rainbow Flag on Facebook 13.1

Antes de tudo, é preciso esclarecer que “Violência contra LGBT” aqui não é, necessariamente, “violência homofóbica”. O recorte do Disque 100 para a categoria reúne toda e qualquer violência em que a vítima tenha sido identificada como LGBT, independente da motivação.

Dito isto, temos que 66,19% das vítimas indicadas foram homens e 24,51% foram mulheres. Quanto ao perfil étnico: 40,59% pretos e pardos e 35,96% brancos.

Quanto ao perfil dos denunciados: 45,12% das denúncias foram contra homens e 26,63% contra mulheres. 31% dos denunciados foram identificados com brancos, 23,69% como pretos e pardos.


MORADORES DE RUA

Derelict House on Google Android 12.0

Quando informado o sexo do denunciado, homens foram a maioria dos agressores, com 16,99%. Mulheres aparecem com 11,23%. Quanto à etnia do suspeito, temos 9,50% de brancos e 6,39% de negros. A maioria das denúncias deste tipo de agressão não esclarecem nem o sexo nem a etnia do suposto agressor.

Já quanto ao perfil das vítimas, 57,47% eram homens e 26,16% eram mulheres. Já quanto à etnia, 22,14% foram identificados como brancos, enquanto 46,54% eram pretos e pardos.


DEFICIENTES

Manual Wheelchair on WhatsApp 2.21.16.20

Entre os denunciados, há quase empate: 37,76% de homens e 36,9% de mulheres. Os denunciados são majoritariamente pretos e pardos: 28,80%. Brancos são 24,96% dos supostos agressores.

Já entre as vítimas, 52,52% são mulheres e 44,08% são homens. 34,97% são brancos e 41,83% pretos ou pardos


PRESIDIÁRIOS

Police Officer on WhatsApp 2.21.16.20

O MDH também coleta denúncias telefônicas sobre supostas violações contra presidiários. Neste subconjunto, como esperado, a maioria das denúncias diz respeito a vítimas do sexo masculino: 55,47% contra 7,90%. Quando ao perfil étnico, 10,16% das vítimas foram identificadas como pretas ou pardas, 8,17% como brancas. A imensa maioria das denúncias (81,28%) não deu conta da etnia das supostas vítimas.

Quanto aos denunciados, 41,09% eram do sexo masculino e 8,01% do feminino. Já quanto à etnia, 6,52% eram pretos ou pardos e 8,22% eram brancos. Novamente a maioria das denúncias (85,12%) não apresenta informações sobre esta variável.


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