Liberdade de expressão

Homofóbico em desconstrução? Felipe Andreoli faz exibição de virtude, mas

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Quem tem telhado de vidro não taque pedra no telhado do vizinho, já dizia minha mãe. Ela também dizia que quando você aponta um dedo, três apontam de volta.

O global Felipe Andreoli resolveu se mostrar filantrópico, samaritano, generoso, tão humano e também altruísta, complacente, caridoso e tão gente ao seu público e, sobretudo, aos seus patrocinadores.

Num vídeo em que só faltou cuspir na câmera de tanta raiva e rancor acumulados, o jornalista esportivo disse que homofobia não é opinião, que homofobia mata. Chamou Maurício Souza de covarde pelo fato de este ter tido a coragem de não pedir perdão à turba dos canceladores sedentos e famintos de sangue. Não chegou, ao contrário do colega de emissora Leonardo Miranda, a repetir a notícia falsa das centenas de mortes por homofobia, mas foi por pouco.


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Acontece que Andreoli esqueceu de fazer uma faxina no Twitter antes de arrotar superioridade moral e a galera foi catar o passado recente do agora bom moço. O perfil é repleto de falas consideradas homofóbicas, algumas ditas em contexto amigável ou brincalhão (aquilo que alguns ativistas chamam de homofobia recreativa) e outras em contexto aparentemente mais agressivo. Eu mesmo printei algumas, outras parecem ter sido apagadas recentemente.

Tem de um tudo: desde cumprimentos a amigos usando expressões consideradas homofóbicas até referências jocosas associando as torcidas do Fluminense e do São Paulo à homossexualidade passando por uma alteração debochada do nome do cantor Justin Bieber (indicando inferências zombeteiras sobre a sexualidade do canadense).


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“PRA MIM VOCÊ TEM CARA DE QUEM COME TRAVECO”

Aparentemente o jornalista bom moço deletou alguns dos posts com termos considerados homofóbicos depois da publicação do vídeo. Circula pela internet um vídeo com alguns prints mostrando outras ofensas. Em uma delas o jornalista teria usado a pesadíssima ofensa “traveco”, geralmente considerada a forma mais grave de se referir a travestis e transexuais do sexo masculino.

FALAS CONSIDERADAS RACISTAS

Além de falas consideradas homofóbicas o global também já publicou piadas consideradas racistas: uma delas fazia referência à pele negra dos jogadores do Gabão, um país da África Subsaariana. A piada tem conotação semelhante àquela que deu dedo no cu e gritaria na Copa do Mundo, lembra? Do jogador francês que faria o maior sucesso num arrastão. Em outro momento ele comentou sobre alguém, provavelmente um fã de pele negra: “Esse negão encheu o saco para tirar foto comigo. Pronto, postei no Twitter!”


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HÁ ALGO DE PROFUNDAMENTE IMORAL NAS FALAS DE ANDREOLI?

Não. Nadica de nada. Zoar os tricolores de bambis e de florminenses não deveria ser visto como algo diferente de zoar flamenguistas de favelados ou corintianos de maloqueiros. Chamar um amigo de viado e de bichona é absolutamente normal. Fazer piada com “acabou a luz, cadê o negão”? Não posso criticar, sou quase negão e mesmo assim morro de rir com estas brincadeiras. Particularmente eu não acredito que nenhuma das falas do Andreoli devesse ser considerada criminosa, embora algumas aparentemente revelem mesmo um preconceito contra homossexuais por parte do apresentador. Não é este o ponto.

O ponto é a hipocrisia de um jornalista que, para defecar virtudes, solta o verbo contra um “criminoso” cuja “violentíssima” ação não passou nem perto de nenhuma das ações que ele mesmo costuma cometer. Maurício não chamou ninguém de bichona, não disse que ninguém tinha cara de comedor de traveco, não associou jocosamente uma torcida à homossexualidade, não debochou da aparente homossexualidade de um astro juvenil já é ostensivamente sacaneado por isso por quase todos os homens do planeta.

Maurício expressou preocupação com os efeitos de recaracterização ideológica de um personagem clássico da cultura ocidental contemporânea. Pode até ser que Maurício de fato seja “homofóbico” e de fato acredite que a homossexualidade deveria ser um comportamento legalmente proibido, socialmente rechaçado, mas não é isso que é expresso nos posts do atleta que foram colocados em discussão.

Isto está mais próximo de ser expresso, ora ora, nos posts do cheio de moral Andreoli.

“Ahhh, Daniel, mas o moço pode ter se convertido, se arrependido sinceramente, se batizado nas águas do Arpoador e ter sido renovado de dentro pra fora pelo Espírito do Leblon. Talvez agora ele seja um progressista salvo e remido pelo sangue (não vou falar sangue de quem porque não quero ser processado por crime de blasfêmia). Pode ser que ele não tenha mudado de postura nas redes sociais apenas por ter recebido uma recomendação profissional de como deveria ser sua posição pública enquanto trabalhasse no novo emprego”

(Se ninguém notou, o fim das postagens com palavras consideradas homofóbicas e piadas consideradas racistas coincide com o momento em que o moço sai do escrachado Custe o Que Custar na Rede Bandeirantes e é admitido pela limpinha e cheirosa Rede Globo para trabalhar no desconstruidíssimo Encontro com Lacrátima Bernardes)

Sim, pode! E sobre esta remota possibilidade eu deixo o comentário do perfil Otavio (que parece ter sido banido ou desativado, porque não encontrei para linkar diretamente no post):

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