Fraudes LGBTs

Agência de checagem do Grupo Globo ignora fake news de jornalista do Grupo Globo

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O Grupo Globo é o maior conglomerado de mídia e comunicação do Brasil e da América Latina: é a empresa responsável por marcas como CBN, SporTV, Rede Globo, Telecine, Globoplay, Globo Esporte e muitas outras. Um dos braços de comunicação do conglomerado é a agência de checagens Fato ou Fake. Uma descrição disponível no portal G1 informa que a missão da agência de checagens é “identificar as mensagens que causam desconfiança e esclarecer o que é real e o que é falso”. O trabalho de apuração seria feito “em conjunto por jornalistas de G1, O Globo, Extra, Época, Valor, CBN, GloboNews e TV Globo”.

O que acontece quando um jornalista da própria empresa divulga uma fake news descarada, já desmentida de forma irrefutável com extensa apresentação de documentos e até diante de uma ação judicial que versou diretamente sobre o assunto?

A oportunidade de testar o serviço foi dada pelo jornalista Leonardo Miranda, que trabalha para o SporTV e para o Globo Esporte. Em alusão à polêmica sobre as postagens de Maurício Souza, Leonardo publicou a seguinte inverdade em seu perfil no Twitter.


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O jornalista não apresentou suas fontes no tuite, mas pelos números citados podemos inferir que tinha em mente os relatórios do Grupo Gay da Bahia (ano de 2017) e da Rede Trans. Os relatórios realmente existem, mas a afirmação de que as mortes contidas neles são mortes de LGBTs por serem LGBTs e mortes de pessoas trans por serem trans é objetivamente falsa.

Acontece que tanto a Rede Trans quanto o Grupo Gay da Bahia produzem seus relatórios com base em notícias genéricas sobre pessoas que geralmente (mas não sempre) eram LGBTs e foram mortas no Brasil, mas não necessariamente assassinadas e menos ainda pelo fato de serem LGBTs.

Alguns exemplos: no relatório de 2017 do GGB (que podemos saber que é aquele ao qual o jornalista fez referência devido ao número de uma morte a cada 19 horas) foram incluídos casos de homem heterossexual assassinado pelo filho homossexual, de travesti atropelado acidentalmente enquanto tentava atravessar uma rodovia, de travesti morto por causas naturais durante viagem à França, de homossexual brasileiro morto de causas desconhecidas na Itália, de travesti morto devido a complicações pós cirúrgicas. Estes são apenas alguns casos: você pode acessar outras histórias que foram usadas para fabricar este dado de “uma morte de LGBT a cada 19 horas, por ser LGBT” clicando aqui.


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Já a Rede Trans já chegou até a “matar” um travesti que havia sido dado como desaparecido (mas que não morreu). O travesti apenas tinha decidido passar uns dias na casa de amigos, não avisou a família, a família denunciou o sumiço à polícia, e a Rede Trans já classificou como “mais um caso de assassinato motivado por transfobia“.

PEDIDO DE CHECAGEM

Aproveitando que o próprio Grupo Globo possui uma agência de checagens, decidimos acionar o serviço para ver se ele funciona bem. Eu mesmo mandei uma mensagem pelo WhatsApp da Fato ou Fake solicitando a verificação e pedi para que seguidores fizessem o mesmo. Eis alguns prints.


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Infelizmente as diversas denúncias não geraram resultados. Neste últimos 4 dias (período desde o envio das mensagens) a agência de checagens do Grupo Globo verificou um boato sobre a mulher do Bruno Gagliasso ter sido obrigada a devolver dinheiro captado através da Lei Rouanet, outro sobre a distribuição de mamadeira de piroca, mais um sobre uma confusão do MST com a polícia pernambucana e mais outro sobre Salah e o Diogo Jota terem dedicado gol a Bolsonaro. Foram também verificados boatos virtuais sobre formol no leite, sobre bonequinhos de alumínio no sangue de vacinados e sobre mamografia induzir câncer.

Até o momento, nada sobre a fake news divulgada por Leonardo. Fake news esta que, além de colaborar para a produção de narrativas sectárias e revanchistas, tem sido utilizada por ministros do Supremo Tribunal Federal na justificativa de decisões da suprema corte e por deputados e senadores na formulação de projetos de lei.

Talvez o conjunto por jornalistas de G1, O Globo, Extra, Época, Valor, CBN, GloboNews e TV Globo responsáveis pelas checagens ainda esteja apurando os fatos. Vamos dar mais um tempo, semana que vem a gente publica uma atualização.

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