"racismo" LGBT Liberdade de expressão Violência Violência amorosa

O caso das lésbicas transfóbicas, ou como não pisar fora da faixa LGBTQI+

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A criminalização de toda e qualquer oposição a toda e qualquer nova doutrina ideológica associada ao ativismo LGBTQI+ avança a passos largos no Brasil e no mundo.

O termo criminalização aqui pode ser interpretado em um sentido amplo, incluindo tanto a criminalização social pela qual um jogador de vôlei tenha seus contratos cancelados apenas por ter questionado vagamente a sexualidade de um personagem de ficção quanto a criminalização legal pela qual o mesmo atleta receba ameaças de processo judicial(o ativista e advogado Paulo Iotti e diversas entidades LGBTQIPLUS anunciaram que vão processar Maurício Souza com base no entendimento jurídico que ele mesmo logrou êxito em criar junto com o STF: o de que homofobia seja uma forma de racismo.)

Nos últimos anos esta página já tratou de uma série de casos judiciais no Brasil e no mundo que dão a tônica deste novo anormal: pai canadense sendo condenado e preso por chamar a filha (ser humano do sexo biológico feminino) de filha; depiladoras sendo processadas no mesmo Canadá por terem se recusado a depilarem a bolsa escrotal de uma alegada mulher (foram absolvidas, mas a decisão absolutória foi justificada pelos juízes no fato de que eram imigrantes, ou seja: se não fossem membros de uma minoria, talvez fossem condenadas); médico brasileiro sendo condenado a indenizar uma paciente (ser humano do sexo feminino) por ter se referido a ela como se fosse mulher.

Fora do campo judicial, o humorista Dave Chapelle foi atacado nas redes sociais por ter feito uma piada segundo a qual mulheres menstruam (sim, no século 21 dizer que mulher menstrua pode ser entendido como uma piada, e das muito “ofensivas”).


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Para além do mero problema do ataque às liberdades de expressão, de crença religiosa e de pensamento há um problema de delimitação que tem se retroalimentado a cada vez que alguém é processado por chamar uma pessoa do sexo feminino de mulher ou por demonstrar desagrado pela recaracterização de um personagem de ficção: o que constitui homofobia/transfobia segundo a religião progressista? E como evitar de incorrer no erro?

Uma matéria assinada por Caroline Lowbridge para a BBC é um exemplo dramático deste problema. Lowbridge dá conta de que, para não serem taxadas de transfóbicas, lésbicas têm se sentido coagidas a ter relações sexuais com pessoas do sexo masculino que se identificam como mulheres.

Uma das entrevistadas contou à repórter que já teria sido acusada de ser pior do que Adolph Hitler por ter dito que não aceitaria ter relações sexuais com uma mulher do sexo masculino: “Eles disseram que me estrangulariam com um cinto se estivessem em uma sala comigo e Hitler. Isso foi tão bizarramente violento, só porque eu não vou fazer sexo com mulheres trans”, disse a entrevistada.

A jornalista conta que depois de escrever um artigo sobre sexo e consentimento (artigo que me surpreendeu por tratar tanto da possibilidade de que tanto homens como que mulheres cometam “fraude de consentimento” contra homens) ela foi chamada à atenção para este curioso aspecto da loucura pós-moderna: o das mulheres que são coagidas a consentir sexo com travestis para não serem classificadas como transfóbicas. Segundo a jornalista, ela foi abordada por diversas pessoas relatando casos assim.

Uma outra mulher disse que foi coagida pela própria namorada porque esta desejava fazer um menage a trois com um travesti. Ao negar a suruba, foi prontamente acusada de transfóbica pela parceira: “Sei que não há possibilidade de me sentir atraída por essa pessoa. Eu posso ouvir suas cordas vocais masculinas. Eu posso ver seu queixo masculino. Eu sei, sob suas roupas, há genitália masculina. Essas são realidades físicas que, como uma mulher que gosta de mulheres, você não pode simplesmente ignorar”, disse a entrevistada.

A decisão desta mulher foi pelo fim do relacionamento, mas nem sempre é assim. Uma outra entrevistada disse que acabou cedendo a fazer sexo com um travesti por medo de parecer transfóbica, e se sentiu mal por ter odiado cada momento.


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Debbie Hayton, uma mulher trans que se posiciona a favor da ideia atualmente “revolucionária” de que mulheres trans não são mulheres de fato, de que transexuais não mudam de sexo mesmo que passem por cirurgia e de que pessoas não deveriam ser punidas social ou legalmente por declararem isto abertamente também foi entrevistada.

Debbie entende que existam travestis do sexo masculino que sejam atraídos por mulheres (ela acredita inclusive que sejam a maioria) e entende a frustração destas pessoas na busca por um relacionamento amoroso: “Quando as mulheres trans estão tentando encontrar parceiras, as lésbicas dizem ‘queremos mulheres’ e as mulheres heterossexuais dizem que querem um homem heterossexual. Isso deixa as mulheres trans isoladas dos relacionamentos e, possivelmente, se sentindo muito decepcionadas com a sociedade, com raiva, chateadas, se sentindo perseguidas”.

Entretanto, Debbie não faz disso uma justificativa para a coação contra lésbicas e nem faz vista grossa para o sofrimento íntimo destas mulheres diante de um mundo em que não seguir as regras totalitária progressista é pecado e crime: “A forma como a vergonha é usada é simplesmente horrível; é a manipulação emocional e a guerra acontecendo. Essas mulheres que querem formar relacionamentos com outras mulheres biológicas estão se sentindo mal por isso. Como chegamos aqui?”


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