Liberdade de expressão

Aronovich, Amparo, Salvadorini, Vecchioli: horda ataca Catarina Rochamonte pelo “crime” de escrever em língua portuguesa

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Catarina Rochamonte vem sendo caluniada sob a acusação de ter cometido o crime de transfobia. Em um artigo sobre o caso envolvendo Maurício Souza, Catarina disse que “subir a hashtag ‘homofobia não é opinião, é crime’ não resolve nada porque o problema está na delimitação do que é homofobia”.

Pouco antes da publicação do artigo de Catarina pela Folha de S. Paulo, eu havia publicado aqui um texto inspirado na matéria da jornalista Caroline Lowbridge sobre casos de lésbicas que, sob a ameaça de serem classificadas como transfóbicas, são coagidas a fazer sexo com homens que se consideram mulheres.

No texto, eu escrevi que “(…)há um problema de delimitação que tem se retroalimentado a cada vez que alguém é processado por chamar uma pessoa do sexo feminino de mulher ou por demonstrar desagrado pela recaracterização de um personagem de ficção: o que constitui homofobia/transfobia segundo a religião progressista? E como evitar incorrer no erro?”

Parece até premonição, mas é apenas a previsibilidade do discurso e do modus operandi da turba totalitária que assola o debate público sobre questões LGBTQIPLUS. No seu texto, Catarina escreveu também que “O jogador também criticou a presença de um homem biológico no time feminino de determinada modalidade desportiva.”


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Catarina passou a ser xingada de tudo quanto é nome feio pela cambada totalitária “defensora” das “minorias”, e atacada por uma horda de perfis verificados composta por lindezas como a professora Lola Aronovich, o jornalista Fausto Salvadori, o também jornalista Demétrio Vecchioli, o membro do conselho da Folha de S. Paulo Thiago Amparo e Lana de Holanda, ativista que também é um homem biológico.

O motivo? O uso de um verbete que está presente nos dicionários de língua portuguesa há séculos, cuja definição tem sido compartilhada por milhões de falantes desde a origem de nosso idioma no noroeste da península ibérica na virada do primeiro para o segundo milênio. Um termo que significa, entre tantas outras coisas, “ser humano do sexo masculino“.

1984 é um romance distópico publicado por George Orwell em 1949. Alguns verbetes e expressões muito disseminados atualmente surgiram deste romance: polícia do pensamento, ministério da verdade, duplipensar e novilíngua são alguns deles. Novilíngua é um idioma fictício imaginado por Orwell, um idioma artificial através do qual o Estado limitaria a possibilidade de pensamento e de expressão de ideias.

Muitas pessoas associam novilíngua à formação de novos termos estranhos ao idioma, de forma artificial, e de fato esta era uma característica da linguagem instituída pelo Estado totalitário da Oceania em 1984, mas esta não era a principal marca na sua construção. O idioma ficcional e elemento central da distopia futurista era fundamentalmente caracterizado pela eliminação de palavras, pela redução de significados e pela ressignificação dos poucos termos que sobravam a cada atualização no dicionário. Talvez Orwell tivesse escrito guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força, homem é mulher, se o nome do livro fosse 2021.


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Não devemos tratar 1984 como um manual, mas como um alerta. Não podemos admitir que todos os seus elementos ficcionais aterrorizantes se manifestem sob nossos olhos. As palavras do nosso idioma não são criminosas. O uso dos verbetes e das expressões cunhadas e preservadas por milhões de almas já mortas ou ainda vivas não pode ser eliminado de nosso cotidiano sob o medo de sermos lacrados como transfóbicos ou qualquer coisa que o valha. Ou ainda sob o pavor de recebermos um processo e até sermos condenados por algum juiz adepto do credo totalitário de nossos tempos.

No meu idioma pessoas do sexo masculino são chamadas de homens, e abrir mão disto não é barato. As definições compartilhadas de um verbete, qualquer verbete, permitem que nos comuniquemos. Que eu diga, e que você, sentado na sua cadeira, saiba o que estou dizendo. Que eu peça um suco de maracujá e não receba do garçom um copo de uísque, que eu diga que estou com dor muscular e não receba do médico um remédio pra tosse.

Rochamonte não é transfóbica, e ser acusada disso só provou o ponto central de seu texto. Se ela argumentava, assim como eu argumentara, que um problema crucial das acusações de transfobia e homofobia estava em definir o que é transfobia e homofobia de forma razoável, o chilique dado por uma turba de pseudoilustrados devido ao mero fato de ela ter se referido a uma pessoa do sexo masculino como homem demonstrou de forma sublime o nosso ponto.

No Reino Unido, como eu disse no post anterior, mulheres lésbicas vêm sendo acusadas de serem transfóbicas por se recusarem a ser penetradas por um pênis feminino. Mulheres heterossexuais também têm sido acusadas de cisgenerismo por não aceitarem relacionamento erótico-amoroso com outras mulheres biológicas. Não adianta evitar: em algum momento, mesmo que nunca se refira ao Tiffany como homem, ou como homem biológico, você também vai acabar sendo “transfóbico”. É só esperar a sua vez chegar.


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