Estudo acadêmico

Maioria das pessoas heterossexuais jamais namoraria “pessoas trans”, indica estudo

SIGA QUEM? NÚMEROS NAS REDES SOCIAIS


Você é uma mulher heterossexual? Qual a sua disponibilidade quanto a futuramente se relacionar amorosamente com um homem que não tenha pênis, nem testículos, nem te possa engravidar? Você é uma mulher lésbica? Qual o seu nível de interesse em se relacionar eroticamente com uma mulher que possui pênis e testículos funcionais, voz grossa e porte físico masculino?

958 voluntários heterossexuais, homossexuais e bissexuais de ambos os sexos responderam a um questionário desenhado para investigar a prevalência de indivíduos dispostos a considerar uma “mulher trans” (homem feminilizado) ou um “homem trans” (mulher masculinizada) como potencial parceiro de namoro. Os resultados foram publicados em 2019 pelo Journal of Social and Personal Relationships, num estudo assinado por Karen L. Blair e por Rhea Ashley Hoskin.

A dupla informa que “dada a natureza exploratória do estudo, não foram testadas hipóteses específicas”, mas que “na medida em que avanços recentes na aceitação da diversidade de gênero e na provisão de direitos para indivíduos trans têm resultado em atitudes individuais, esperaríamos ver um grande número de participantes incluir homens e mulheres trans como potenciais parceiros de namoro, de acordo com suas identidades sexuais preexistentes.”

Em outras palavras: “se os indivíduos transgêneros estão verdadeiramente sendo incluídos na sociedade, com suas identidades de gênero sendo vistas como autênticas, nós esperaríamos que homens heterossexuais e mulheres lésbicas estivessem abertos a namorar mulheres trans, e, da mesma forma, esperaríamos que mulheres heterossexuais e homens gays se interessassem por namorar homens trans”.

Não foi indicada, no estudo, nenhuma distinção quanto à condição psíquica (portador ou não de disforia de gênero) ou terapêutica (submetido ou não a tratamento hormonal e cirurgia). De fato, as palavras “transexualismo” e “disforia de gênero” bem como as palavras “hormônio” ou “cirurgia” não aparecem no texto e aparentemente estas diferenças não foram consideradas. A expressão “trans people” costuma ser usada para fazer referência à totalidade das pessoas com identidade ou expressão de gênero distintas às esperadas a partir do próprio sexo.


Anúncios

Os resultados dos 958 questionários foram surpreendentes (para a dupla que realizou a pesquisa): segundo a tabela 2, a expectativa teórica era de que 0% dos entrevistados declarassem rejeitar a possibilidade de relacionamento erótico-amoroso com uma “pessoa trans”, mas o percentual realmente encontrado foi de 87,5%.

Já o percentual esperado de pessoas que aceitariam tanto se relacionar com “mulheres trans” quanto com “homens trans” seria de 12,2%, mas o número realmente encontrado foi de 5,8%.

Entre os que se identificaram como heterossexuais, apenas 1,8% das mulheres e 3,3% dos homens aceitariam namorar um travesti do próprio sexo ou do sexo oposto. Entre os gays e lésbicas também o número ficou bem abaixo do previsto pela dupla que realizou o estudo. Uma outra grande surpresa (para os autores do estudo) foi a de que mais lésbicas disseram preferir namorar um “homem trans” (mulher masculinizada) que uma “mulher trans” (homem feminilizado).



EXPLICAÇÕES: TRANSFOBIA, CISGENERISMO, DETERMINISMO BIOLÓGICO E IGNORÂNCIA

Diante do “surpreendente” resultado de que mulheres heterossexuais gostam de se relacionar com homens que tenham pênis e de que mulheres lésbicas preferem se relacionar com mulheres que não possuam este aparato reprodutivo, a dupla propôs algumas “explicações”.

“Há uma série de razões que podem explicar essas altas taxas de exclusão de pessoas trans de potenciais possibilidades de namoro. Talvez os mais relevantes sejam a cisnormatividade, o cisgenerismo, a transfobia e um hábito geral de excluir pessoas trans de todas áreas da vida social“, disseram.

“Contudo, embora sentimentos antitrans, incluindo transfobia e cisgenerismo, provavelmente desempenhem um grande papel nas descobertas atuais, existem razões adicionais, um pouco menos malvadas que podem explicar os padrões observados no presente estudo. Embora os participantes tenham recebido uma definição de cisgênero e transgênero, alguns participantes podem não ter lido ou entendido esses termos e, portanto, suas respostas podem não refletir perfeitamente suas intenções ou como eles se comportariam se confrontados com a oportunidade de namorar uma pessoa trans.”, continuaram.

Em suma: para a dupla responsável pelo estudo, o principal motivo para rejeitar a possibilidade de se relacionar com pessoas trans reside no balaio de acusações que compreende a transfobia, o cisgenerismo e o cisnormativismo. Se não for isso, a hipótese alternativa é a de ignorância sobre o que significa ser trans e sobre o que significa se relacionar amorosamente com uma pessoa trans.

Já quanto ao problema de que mulheres lésbicas parecem preferir se relacionar com mulheres masculinizadas (“homens trans”) do que com homens feminilizados (“mulheres trans”), o estudo aponta o “determinismo biológico” como culpado: “10,8% das lésbicas foram classificadas como incongruentes porque estavam dispostas a namorar homens trans, mas não mulheres trans. Como essas respostas devem ser interpretadas? Uma opção é ver essas respostas como exemplificando uma forma de cisgenerismo ou determinismo biológico, pois parece que os participantes estão selecionando potenciais parceiros de namoro com base em seu sexo, conforme determinado no nascimento, em vez de sua identidade de gênero autêntica ou real“.


LEIA TAMBÉM

Anúncios



1 comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: