Um homem morreu enquanto fazia sexo com um travesti: para ativistas, causa foi a “LGBTfobia estrutural”

10 de abril de 2014, o advogado tocantinense Walker de Montemor Quagliarello não imaginava, mas em breve ele entraria definitivamente nos anais do Grupo Gay da Bahia, a ONG fundada pelo antropólogo baiano Luis Mott e que é responsável pelo mais famoso relatório de mortes “motivadas por homofobia” do Brasil.

Ainda era madrugada quando Walker, que era conhecido pelos colegas como Kiko, estacionou seu carro em uma rodovia na altura de Araguaína. Um travesti se aproximou, e Kiko o convidou para um relax. Minutos depois o travesti enviava uma mensagem para os amigos: “Gente… Caramba… Um homem morreu aqui depois de gozar… Tô aqui presa em um carro. E um monte de repórter fora. Que azar.

Os relatórios do Grupo Gay da Bahia são anunciados pela mídia, por ativistas, por políticos e pela própria ONG como se dessem conta de “assassinatos motivados por homofobia”, mas não é verdade. O GGB, e outras instituições que fazem trabalho semelhante, meramente compilam mortes aleatórias (overdoses, suicídios, acidentes, mortes por causas naturais, assassinatos de LGBTs por outros LGBTs e até assassinatos de heterossexuais por LGBTs) e enumeram estas mortes como sendo mortes por homofobia.

Como é conveniente, as grandes empresas jornalísticas replicam, as tais agências de checagem independentes não checam e até ministros do Supremo Tribunal Federal usam as alegações da ONG como fundamento de suas decisões.

Foi por isso que, no começo de de 2015, Kiko (ou melhor: Walker de Montemor Quagliarello) apareceu no relatório da ONG de Luiz Mott como uma das vítimas de assassinato motivado por homofobia de 2014 mesmo tendo, na verdade, morrido de infarto enquanto fazia amor com um travesti.

RELATÓRIO DE MORTES DE LGBTS EM 2021: HOMEM QUE TEVE MAL SÚBITO DURANTE SEXO COM TRAVESTI TAMBÉM FOI INCLUÍDO

Desde que esta página surgiu tendo como um dos enfoques desmascarar os relatórios fraudulentos de “mortes por homofobia no Brasil”, usando para isto uma revisão crítica dos dados contidos nos próprios relatórios, as instituições que produzem este tipo de pesquisa se tornaram mais cuidadosas. O cuidado, no caso, consiste da omissão dos dados que permitiriam uma checagem independente da metodologia. Por exemplo: as ONGs não têm mais publicado os nomes das vítimas.

Até por volta de 2018 todas as instituições que produziam relatórios de mortes motivadas por homofobia divulgavam abertamente a lista das mortes que haviam sido consideradas para compor os resultados: informavam data, cidade, nome e outros dados individualizados.

Foi assim que eu soube que a UFRJ utilizou a morte de uma assaltante baleada por policiais durante uma perseguição a um carro roubado por ela como se fosse um crime “lesbofóbico”, que a Rede Trans classificou como homicídio transfóbico a morte de um travesti que ainda está vivo e que o Grupo Gay da Bahia classificou como vítima do ódio transfóbico no Brasil a um travesti venezuelano que morreu na Espanha.

Depois que os não honestos métodos de tais instituições passaram a ser denunciados não apenas por esta página, mas também por outros nomes como o biólogo Eli Vieira e o portal LGBT Guia Gay de São Paulo, as instituições passaram a omitir os dados e a publicar só números e estatísticas vagas como “percentual de mortos por cidade ou por etnia”. Isso dificulta a checagem dos relatórios atuais, mas as ONGs sempre dão uma brecha.

Nosso seguidor Diego Morales apontou para um detalhe do relatório “Mortes e violências contra LGBTI+ no Brasil: Dossiê 2021“, publicado em conjunto pelas ONGs Acontece, ANTRA e ABGLT. Veja:

Sim, exatamente. Além de assassinatos, latrocínios e suicídios, as ONGs incluíram pelo menos um caso de morte por mal súbito. Novamente um homem morto durante pleno ato sexual com um travesti.

Como já dito, neste relatório as ONGs não informam os nomes das vítimas que foram exploradas para a fabricação do dado alarmista de 316 mortes de LGBTs no Brasil em 2021, mas pelos poucos dados indicados é possível suspeitar de que o caso destacado seja o de um senhor identificado como Osmar, morto em uma praia de Cabo Frio em 17 de julho de 2021, enquanto namorava um travesti.


Os motivos que nos podem fazer inferir que a morte aproveitada para inflar os dados do dossiê seja a de Osmar são os seguintes: segundo o relatório, duas das mortes teriam acontecido em Cabo Frio; a morte por mal súbito teria acontecido em um “espaço público”; e a morte de Osmar foi o único caso (em 2021) de mal súbito durante sexo com travesti que encontramos através do Google. Segundo relatos do jornal O Dia, Osmar havia ingerido cocaína, álcool e sildenafila antes do encontro amoroso com o travesti e, durante o sexo oral, começou a passar mal.

Ainda que o caso tratado pelo dossiê tenha sido outro, o fato inconteste é que assim como Walker Quagliarello morreu de infarto enquanto chegava ao orgasmo com um travesti e acabou aproveitado pelo GGB para produzir números mais alarmistas de mortes por homofobia em 2014, outro homem teve o mesmo fim nas mãos dos ativistas da ANTRA em 2021.

Se for fazer sexo com travesti, tome cuidado para não infartar durante o rala-e-rola. Ou é capaz de você acabar entrando nos anais de alguma ONG de “defesa” dos LGBTs também.






2 respostas para “Um homem morreu enquanto fazia sexo com um travesti: para ativistas, causa foi a “LGBTfobia estrutural””.

  1. Fato triste, mas curioso, foi que o travesti em questão(na história de Walker Quagliarello), agora formado médico, e vivendo aqui no Rio de Janeiro, Dr. Smylle Pajeú, acabou por falecer de maneira parecida, em decorrência de problemas cardíacos, no primeiro semestre de 2019.

    Como estas listas inserem qualquer morte, não duvido que tenha figurado em alguma mais recente.

    Parabéns pelo trabalho, Sr. Daniel. Que certamente incomodou a muitos. Tanto é assim que eles tiveram que esconder o jogo e ocultar os dados, de modo a impossibilitar qualquer perícia feita por terceiros.

    Se estas organizações recebem verbas do Estado, não seria possível exigir por meio da Lei de Transparência que revelem os dados pertinentes de cada morte para o escrutínio da população, semelhantemente ao que houve com o grupo de lésbicas na faculdade aqui do RJ? Porque empurram, sem chance de questionamento, qualquer narrativa abaixo de nossas goelas.

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    1. Vou verificar se entrou na lista de 2019 do GGB (neste ano eles publicaram a lista de casos, o GGB especificamente) ou da TGEU (creio que não, a TGEU só costuma incluir assassinatos ou suspeitas de assassinato).

      Quanto à tentativa de obter os dados pela LAI, a UFRJ conseguiu reverter a decisão ao meu favor por uma estratégia bem sacana: em vez de mandarem os dados elas mandaram a sentença em primeira instãncia que me condenava e a CGU acatou isso como razão justa para a manutenção do sigilo.

      Já estas ONGs geralmente não recebem verba pública diretamente.

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