Londres pede que olhares (sim, olhares) no metrô sejam denunciados à polícia

Londres pede que olhares (sim, olhares) no metrô sejam denunciados à polícia

Você aí que é gay. Me responda nos comentários. Já te aconteceu de entrar num vagão de metrô, dar de cara com um bofe lindérrrrrrrimo e não conseguir parar de olhar praquele deus de ébano materializado na sua frente? E você, mulher heterossexual seguidora de Quem? números, já te aconteceu de estar na estação e se flagrar úmida por um policial lindo que não desviava do seu campo de visão nem por uma intervenção de Astreia, a deusa da inocência e da pureza? Você, minha amiguinha fancha, lembra quando se pegou hipnotizada no vestidinho da Farm correndo o corpo perfeito de uma universitária com quem cruzou na viagem entre a Uruguai e a Uruguaiana, e que ficou até meio sem graça quando percebeu que estava babando?

Eu sei, eu sei que sim, mas não se preocupe. Embora a nova campanha contra assédio sexual divulgada nos metrôs de Londres não especifique o sexo da potencial “vítima” e do potencial “agressor”, eu acho muito pouco provável que um gay, uma lésbica ou uma mulher vá ter problemas se olhar (proposital ou desatentamente) para uma outra pessoa no metrô.

Já homens, se pretendem viajar de metrô em Londres nos próximos meses, talvez façam bem trajar óculos escuros e bengala, só por segurança.

É que as instituições londrinas estão iniciando mais uma campanha para expandir a criminalização do ato de ser homem e demonstrar, em qualquer nível, intencionalmente ou não, alguma atração erótica por alguma mulher. Num mundo em que “psius e fiusfius” feitos por operários da construção civil e comentários elogiosos sobre o corpo feminino nas redes sociais já podem gerar punições estatais e muita histeria pública, a última novidade é a campanha divulgada nos metrôs da capital britânica que pede para que pessoas que percebam estar sendo alvos de olhares alheios e que identifiquem nestes olhares alguma malícia erótica liguem para a polícia. Sim, para a polícia.

O portal britânico LBC relata que a inspetora detetive Sarah White, que lidera a equipe de crimes sexuais da polícia ferroviária do país, disse que seus oficiais estão recebendo relatórios diários de pessoas cometendo crimes sexuais, incluindo olhares.


O cartaz acima traduzido:

Olhares | O olhar invasivo de natureza sexual é abuso sexual e não será tolerado | Se testemunhar ou sofrer isto, envie uma mensagem para o Polícia Britânica de Transporte Público em 61016. Em caso de emergência, sempre disque 999 | Suspeita de que alguém esteja fazendo isto e quer denunciar anonimamente? Ligue para a linha de abuso sexual ferroviário em 0800 783 0137 | Para mais informações, visite: nationalrail.co.uk/zerotolerance


A escritora Emilly Hill iniciou assim seu comentário para o The Spectator sobre nova investida da Polícia Britânica de Transportes:

” ‘Um céu cheio de estrelas e ele estava olhando para ela’ é um poema de amor escrito por um romano morto, mas no metrô de Londres, tudo o que um homem encontrará se olhar para o céu é um anúncio da empresa ferroviária avisando-o se ele me olhar de uma maneira erótica eu devo chamar a polícia.”

Emilly atribui a ideia sobre a criminalização de mais este tipo de comportamento a Sadiq Khan, o prefeito islâmico e progressista da capital. Além de criticar os gastos públicos aplicados nesta e em outras campanhas recentes, Emilly prevê que o esforço não atingirá, de maneira alguma, a qualquer eventual abusador sexual: “Suspeito que a verdadeira consequência deste pôster será causar medo nos corações de homens que não são pervertidos sexuais e manter homens e mulheres tão solitários e isolados o quanto possível.”

Ela acredita que se jovens mulheres forem questionadas sobre seus reais problemas neste campo, elas não dirão que são homens errados olhando para ela no metrô. Mas o fato de que os homens para quem elas olham cada vem menos têm coragem de olhar de volta. Emmily acredita também que a campanha publicitária terá como efeito fazer explodir artificialmente as estatísticas de “abuso sexual” a ser divulgadas pelo prefeito de Londres futuramente.

Marc Glendening, do think tank liberal Institute for Economic Affairs também escreveu sobre esta nova investida criminalizatória do comportamento humano. “Viajar no metrô de Londres está cada vez mais como passar por um portal para um universo paralelo fascista no qual somos bombardeados por mensagens de natureza altamente agressiva ao estilo de 1984. Cartazes com as mãos estendidas em cores vivas declaram ‘estamos juntos contra o ódio’. Mas a definição de “ódio”, previsivelmente não é apresentada. (…) a empresa de transportes de Londres lançou uma nova campanha de pôsteres exibindo um par de olhos de aparência maníaca incorporados às letras “a’ e ‘g’ da palavra ‘Staring’. Isso faz parte de seu esforço para erradicar o ‘olhar intrusivo’ de ‘natureza sexual’, que nos dizem ‘não é tolerado’. (…) Dado que esses cartazes não contêm detalhes específicos sobre o que exatamente constitui o tipo de olhar que agora somos obrigados a abandonar o objetivo, como no caso das propagandas contra o ódio, é principalmente criar uma atmosfera de intimidação psicológica.”

Para ele a campanha é mais um elemento indicativo do “desejo da esquerda contemporânea de estabelecer uma regulação estatal sobre todos os aspectos de nossa existência cultural”.

Por outro lado, como todo modismo feminista, a campanha mal nasceu no Reino Unido e o processo de importação para o Brasil já começou. O Fantástico publicou ontem uma matéria intitulada “Quando o olhar pode virar assédio” em que entrevista os especialistas e as personagens de sempre.

Dou três anos para que algum deputado brasileiro proponha e consiga rápida aprovação de nova lei federal sobre “olhares abusivos”, para que as principais empresas de transporte copiem os cartazes londrinos e para que as novas e numerosas queixas femininas, durante as consultas em psicologia e psiquiatria, dando conta de terem sofrido “olhares” façam explodir ainda mais os índices de “violência contra a mulher” no SINAN, para a imensa felicidade e satisfação de ONGs feministas como Gênero e Número e Think Olga.

Quem dá menos?





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