Checagem Estatísticas feministas Fraudes LGBTs Grupo Gay da Bahia Lesbocídio

Grupo Gay da Bahia: veja as lésbicas indicadas no relatório de 2019 (Parte 3)

Desde anteontem estamos revendo os 31 casos de lésbicas que foram listadas como “vítimas de mortes por homotransfobia” pelo Grupo Gay da Bahia em seu relatório de 2019. Bem, como já vimos nas partes posteriores, nem todas as 31 lésbicas eram de fato lésbicas: o GGB cometeu alguns erros de classificação incluindo travestis e mulheres heterossexuais (ou ao menos bissexuais) no rol das lésbicas. Vimos também que o GGB classificou como “mortes por homotransfobia” a assassinatos em que uma lésbica matou outra, a mortes relacionadas ao crime organizado e até a casos onde não se sabe se houve homicídio. Tudo dentro da normalidade, quando se trata de “relatórios de mortes motivadas por homofobia”.

Vamos ver os 9 casos restantes?

NATHALIA CAROLINE DUARTE BARBOSA | PARAUAPEBAS, PA

Genis Sousa de Sousa foi até a casa de Nathalia porque acreditava que tinha sido furtado por ela e pela namorada desta. Na matéria jornalística citada como fonte pelo GGB fala-se no sumiço de um celular, mas no processo fala-se de frascos de perfume. Pouco importa, fato é que Genis acusava o casal de ter furtado bens dele, houve confusão, e durante a briga as namoradas foram esfaqueadas. Nathalia morreu, sua namorada Luciene da Silva Ferreira ficou ferida.

ANA KAROLINA DE SOUZA SANTOS | FORTALEZA, CE

A matéria indicada pelo GGB revela de modo particular como a falsificação feita por estas ONGs vai fabricando um senso coletivo de paranoia, e vai sendo replicada num perfeito movimento de feedback positivo.

A matéria pseudojornalística apresentada pelo GGB não aponta NENHUMA evidência a favor da hipótese de motivação homofóbica, mas o texto aponta que uma amiga da vítima teria respondido à reportagem que “a jovem pode ter sido morta por homofobia”. Já a manchete afirma categoricamente que “Amigos afirmam que DJ raptada e espancada com outras três mulheres em Fortaleza foi morta por ser lésbica

Uai? Mas não era apenas uma amiga? E ela não tinha usado o correto verbo “pode”? Sim, pode ter sido por homofobia, pode ter sido por briga sobre futebol, pode ter sido por preconceito religioso, pode ter sido por dívidas de drogas, pode ter sido por briga de namoradas. Quando não se conhece a motivação de um crime, assume-se que pode ter sido por qualquer motivo.

ANGELICA MENDES TEODORO

Esse é o caso, de todos os vistos até agora, que tem uma história pelo menos compatível com indícios de homofobia. Segundo matéria jornalística indicada pelo GGB, o irmão da namorada de Angelica não concordava com a relação entre as duas. Existem muitos motivos para não se concordar com uma relação amorosa de familiar, mas não é incomum que familiares rejeitem homossexualidade entre seus parentes. O fato PARECE ter sido que por conta desta discordância relacionada ao relacionamento da irmã, o homem atirou na namorada dela.

Se realmente for esta mesma a história, e se a motivação da discordância quanto ao relacionamento for a não aceitação da homossexualidade da irmã, teremos de fato um raro caso de morte por homofobia. Dá para afirmar categoricamente isto pelas matérias jornalísticas sobre o caso? Não.

ANA CLARISSA | PETROLINA, PE

O GGB não apresenta link como fonte e o nome é muito comum para permitir uma busca efetiva no Google. Geralmente quando o GGB não apresenta links como referência é porque o caso não foi noticiado na imprensa, muitas vezes se tratando de suicídio, mas não é possível afirmar nada sobre este caso.

TATIANA LUZ DA COSTA FARIA | SANTA MARIA, DISTRITO FEDERAL

Caso foi bastante noticiado e divulgado nas redes sociais. Tatiana foi incendiada pela namorada após uma discussão pelo celular. A relação entre as duas companheiras era turbulenta, marcada por ciúmes, ameaças e desavenças sobre questões domésticas. No dia do assassinato Tatiana estava fora de casa e Wanessa ficou na residência: pelo telefone elas trocaram insultos através de aplicativo de mensagens: Wanessa ameaçava Tatiana de homicídio, dizia que ia quebrar ela toda, que ia incendiá-la.

Foi o que de fato aconteceu, quando a vítima retornou para casa. Tratei deste caso no post abaixo.

GEANE DA CONCEIÇÃO PASSOS | OURILÂNDIA DO NORTE, PA
O link fornecido como fonte pelo GGB não está mais disponível, mas uma busca pelo nome da vítima revela duas coisas importantes. Uma que o GGB informou como nome da vítima, o nome da autora. Geane era assassina, a vítima era Gerlaine da Silva Leite, que foi morta pela companheira amorosa: mais um caso de lésbica assassinada por lésbica e classificada pelo Grupo Gay da Bahia como “morte motivada por preconceito contra lésbicas”.

BARBARA | JACOBINA, BA
Mais um travesti classificado como lésbica pelo Grupo Gay da Bahia. A notícia apresentada como fonte pela ONG indica consumo de substâncias tóxicas, não especificadas na matéria. Também não deixa claro sobre se foi suicídio ou ingestão acidental.

ALINE SANTOS | VOTUPORANGA, SP
O link apresentado pelo GGB está quebrado, mas basta ler o link que se sabe que não se trata de um crime de homotransfobia, veja: https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-Preta-aracatuba/noticia/2019/12/18/mulher-e-presa-suspeita-de-matar-a-companheira-a-facadas-em-votuporanga.ghtml

Joguei no Google em busca de mais informações. Encontrei esta outra matéria que não dá muitos detalhes a mais: enfim, mais um caso de lésbica morta a facadas por outra lésbica e classificada pelo GGB como vítima de crime homofóbico.

MAXILAINE SILVA OLIVEIRA | FEIRA DE SANTANA, BA
Novamente uma mulher morta a facadas pela companheira. Novamente uma lésbica morta por outra lésbica classificada pelo GGB como “crime de ódio contra lésbicas”. Neste caso a vítima passou dois meses internada, até que não resistiu às sequelas e veio a óbito.

COMO FOI FEITA ESTA CHECAGEM?

O Grupo Gay da Bahia não tem um protocolo rígido sobre as publicação de informações que permitam a checagem de seus dados de mortes por homofobia. Em alguns anos eles publicam uma lista de nomes e links que utilizaram como fonte, em outros não, acontece também de publicarem e depois apagarem.

Os dados de 2019 estão disponibilizados no site da ONG, lá é possível baixar o relatório de 2019 e verificar uma lista que contém os nomes da maioria dos casos que foram classificados como “mortes motivadas por preconceito contra LGBTs” naquele ano. Usando a própria lista e mais um pouco de pesquisas através do Google foi possível chegar às informações trazidas nesta série.



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s