"racismo" Sexismo

19 e 20 de novembro: o duplipensar sobre as “desigualdades” socioeconômicas entre grupos demográficos

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É importante destacar diferenças socioeconômicas entre grupos demográficos diversos? Ou diferenças socioeconômicas entre recortes populacionais são irrelevantes? Depende. Depende de qual é a narrativa ideológica que você deseja vender e de qual a que você prefere manter escondida no estoque.

Ontem, dia 19 de novembro, foi Dia Internacional do Homem. Hoje, 20 de novembro, é o Dia Nacional da Consciência Negra. Embora seja tanto homem quanto mulato, não sou especialmente comovido por nenhuma das duas datas. Ainda assim, é interessante observar a forma distinta como ambas as datas são tratadas pela grande mídia e por outras entidades nos dois últimos dias.

Sobre o Dia Internacional do Homem só achei uma referência vinda da grande mídia, e ela é um ataque aos homens (o UOL publicou uma peça misândrica intitulada: “Dia internacional do homem: data é importante para repensar masculinidade” ).

Já sobre o “Dia Nacional da Consciência Negra” os destaques pela grande mídia são incontáveis, tomam boa parte da programação televisiva e das matérias da imprensa escrita e fomentam campanhas publicitárias como a do ex-glorioso Botafogo de Futebol e Regatas, clube que milita pela segunda divisão do campeonato brasileiro.


FONTE: 2018: tabulações especiais sobre as condições de vida da população brasileira, IBGE



O clube fez uma camiseta em que as listras pretas são transformadas em faixas percentuais de um gráfico de colunas. Na base das listras se lê coisas como “75% das vítimas de homicídio são negras”, “somente 27% dos alunos de medicina são negros” e “Apenas 27% entre os mais ricos são negros”.

Nenhum clube fez uma camiseta especial indicando que “91,8% das vítimas de homicídio são homens“, que “82% dos moradores de rua são homens“, que “Homens são apenas 41,8% dos estudantes de Medicina”.

Dados estatísticos divulgados por instituições como IBGE e INEP indicam que homens e meninos têm piores índices que mulheres em variáveis tão distintas quanto acesso a qualquer dos três níveis (fundamental, médio e superior) de educação, saneamento básico (água e esgoto tratados e coleta residencial de lixo), moradia de rua, vitimização de crimes contra a vida, violência doméstica contra meninos, crimes contra o patrimônio, expectativa de vida, suicídio, acidentes de trabalho. De fato, para um grande número de variáveis socioeconômicas negros e homens estão conjuntamente na pior posição estatística, atrás de mulheres brancas, homens brancos e mulheres negras.





Entretanto, homens já foram eleitos como privilegiados. O discurso a ser vendido é este e mencionar as muitas estatísticas socioeconômicas nas quais homens estão perdendo não é interessante para a comercialização da ideologia dominante. Já negros são eleitos como vítimas, e é preciso reiterar isso incessantemente através de campanhas publicitárias, matérias jornalísticas e até camisetas de clubes de segunda divisão.

Destacar as inúmeras variáveis em que homens e negros estão piores do que quaisquer outros grupos, inclusive mulheres negras, não favorece as narrativas dos movimentos de ódio que “defendem as minorias”. É melhor berrar contra algumas “desigualdades” e silenciar em absoluto sobre outras.

É importante destacar diferenças socioeconômicas entre grupos demográficos diversos? Ou diferenças socioeconômicas entre recortes populacionais são irrelevantes? Depende.

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